sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

V ENCIHDOTT acontece em São Paulo. Carta de São Paulo III foi elaborada e será encaminhada à Coordenação Nacional de Transplantes

A quinta edição do ENCIHDOTT‏ - Encontro Nacional das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante aconteceu na sexta-feira e sábado (14 e 15 de dezembro), no Auditório Moise Safra, no Hospital Israelita Albert Einstein, promovido pelo Programa Integrado de Transplantes de Órgãos e o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa.

O evento teve a participação de cerca de 250 profissionais, de todo o território nacional, envolvidos com as atividades relacionadas à Doação e Transplantes. Após as aulas teóricas, que aconteceram na manhã do dia 14, os participantes foram divididos em grupos de trabalhos para definirem propostas de ações com o objetivo de elaborar um consenso, intitulado "Carta de São Paulo III”, que será enviado à Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes para que possa auxiliá-la em medidas que resultem em aumento do número de doadores de órgãos e tecidos em todo o Brasil.

Os palestrantes foram os doutores Cláudio Luiz Lottenberg, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIBAE – SP), Alberto Hideki Kanamura, do Instituto de Responsabilidade Social (IIRS – SP); Felipe Spinelli; do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (IIEP – SP); Álvaro Pacheco Silva Filho, Coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes de São Paulo; Heder Murari Borba, Coordenador Geral do Sistema Nacional de Transplantes; Agenor Spallini Ferraz, Coordenador da Central de Transplantes de São Paul) – SP; Dr. José Osmar Medina Pestana, presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO); e o Dr. José Mario Teles, presidente da AMIB, que falou da importância do papel da associação no processo de transplante e doação de órgãos.

No início da tarde da sexta-feira, o Dr. Heder Murari apresentou os “Avanços do Sistema Brasileiro de Transplantes”. Durante sua apresentação, o médico informou que irão colocar no ar um software que rastreará todos os dados sobre doação e transplantes da América Latina e condensar em um único local para consulta. “Dessa forma teremos um documento importante para traçarmos as nossas estratégias”, disse, além de comunicar que haverá em 2013 de algumas ações importantes com os governos do Paraguai e Argentina.

Outro dado importante apresentado pelo coordenador Geral do Sistema Nacional de Transplantes foi o estabelecimento de uma parceria com a FAB (Força Área Brasileira) para o transporte dos órgãos.

Ao falar das ações que desenvolveram durante o ano, além de participação de eventos e reuniões com as Comissões Regionais de Transplante, o Dr. Heder Muradi lembrou sobre a parceria com o Facebook, que gerou, só na primeira semana, mais de 80 mil usuários declarados como doadores de órgãos.

Muradi também que um desses desafios é a “burocracia” e destacou que a legislação brasileira atual exige o laudo de dois neurologistas para atestar casos de morte encefálica e afirmou que o Ministério da Saúde é a favor da proposta enviada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) para que a exigência, em caso de morte encefálica, passe a ser o laudo de dois médicos com qualificação em terapia intensiva, e não mais em neurologia.

Antes da reunião dos grupos, houve uma sessão interativa para identificar a opinião da plateia em relação a alguns temas importantes. A presença maciça da plateia foi de enfermeiros, representando 56,9% dos presentes. Dos profissionais presentes, 7,3% atuam em unidades de terapia intensiva. Na questão “quem comunica a morte encefálica aos familiares”, nas instituições representadas 82,5% são os médicos plantonistas. A entrevista com os familiares é realizada por 72,8% das instituições presentes

Em relação aos problemas enfrentados durante o processo de todos apresentados, 61,8% ficou com a falta de pessoal qualificado para a manutenção dos órgãos.